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sábado, 24 de agosto de 2019

O que Marx diria do “Shopping Metrô” nos Trens de São Paulo?


O que Marx diria do “Shopping Metrô” nos Trens de São Paulo¿

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                A crise econômica que vivemos desde do 2017, intensificada pela ausência de políticas para combater o desemprego , gerou um fenômeno cada vez freqüente nas grandes cidades. Grupos inteiros foram empurrados para o trabalho informal. Cada vez mais , nos deparamos com homens e mulheres vendendo mercadorias nos trens, ao redor das estações, nos espaços  públicos e nas ruas A cena da correria do “rapa” já virou tradicional nas grandes cidades. Os agentes do Estado e da Lei , representados pelos policiais, apreendem as mercadorias vendidas .A população quase sempre protesta. Conversei com policiais que prestam serviços no trem e eles dizem que não gostam de fazer a apreensão pelo" protesto "da população no entorno.Vidas se cruzam na metrópole: um negro( quase em sua totalidade) sob ameaça de prender a sua mercadoria ilegal, o Policial (representando o Estado com toda sua carga negativa pela população) e o público leniente e espectador torcendo pelo vendedor ambulante, “já que não se tem emprego”. Temos aí uma questão filosófica ¿Sim,claro que temos.
                Olharemos para a integralidade do sistema capitalista brasileiro pelas lentes do filósofo e economista Karl Marx. Marx criou uma critica vigorosa do sistema capitalista a partir da crítica da economia política do século XIX e da crítica da situação de vida da classe trabalhadora inglesa pós –Revolução Industrial. E Que as “lentes de Marx” de cor vermelha olhariam para o cenário do Trem da CPTM Luz-Guaianazes e seus trabalhadores precários ? Essas lentes ajudariam a ver a Ladeira Geral e profusão de trabalhadores informais na 25 de março, atropelando uns aos outros¿E ajudariam a entender o por quê de tanto desemprego?
                Marx pensa a sociedade a partir da centralidade da categoria Trabalho. O trabalho é o alicerce da vida humana e da sua reprodução do homem e por conseqüência de todo o sistema econômico e social .Em Marx, o homem e a Natureza são mediados pelo trabalho. No sistema capitalista, há um classe que vende seu trabalho em troca de receber um salário. Essa classe é explorada pelos donos dos meios de produção, os capitalistas que extraem “mais-valia” da classe trabalhadora. A mais –valia é o espólio geral dos capitalistas  e do Capital do trabalho não-pago. Mais dentro das regras gerais descobertas por Marx, o ciclo do fazer dinheiro no Capitalismo , necessita de um “excedente”, uma parcela da população que estará permanentemente excluída do processo de produção e de recebimento de salário ou lucro. Essa parcela Marx chamou de “exercito industrial de reserva”. No Capitalismo, então nunca haverá Trabalho para” todos”. A opção da população indignada que grita pelo trabalho do vendedor,não sabe o que pede. Pede sem saber o que , no limite, o remédio é inexistente dentro do ciclo da exploração no país e de nossas relações econômicas. Aliás, se Marx no século XIX  criou o conceito de “exercito industrial de reserva”, no Brasil no século XXI nem indústria temos para dar emprego e gerar mais valia para essa parcela da população. Temos um capitalismo que se reproduz a si próprio empregando uma quantia menor da população.
                Para entender melhor isso  é como se estivemos diante da cena do Mágico de Oz que sua varinha "cria "o Coelho da Cartola mágica. O Capital, reproduz o sistema econômico e certas condições, independente da vida do José que quer vender os seus produtos, da Antonia que quer comprar um fone e do Pedro, policial acuado pelo protesto no vagão que faz cara de mal para mostrar sua autoridade e a autoridade do Estado. O Sistema corre à revelia da vontade dos sujeitos por um emprego. Eles só são peças de xadrez em um jogo no qual eles próprios desconhecem¿ Será essa a moderna “alienação”¿ Explico-me , em Marx, a alienação do trabalhador é um conceito filosófico que  afirma que o trabalhador no sistema capitalista perde algo da sua consciência nas relações de trabalho. Seu  trabalho e o fruto do seu trabalho,não lhe pertencem entretanto, aparecem simplesmente como os produtos vendidos na prateleira do supermercado ou como um serviço vendido a uma empresa que você não tem “chefe” como o Uber.
                Por conta  desse cenário atual,a  Alienação , no Brasil de hoje, é o “choque” do encontro entre policiais e vendedores debaixo do Sol, nas ruas e vielas da 25 de março. Ninguém sabe ao certo como veio para ali, mas todos estão como peças do tabuleiro de xadrez . Quem joga é o Capital e os capitalistas que fazem o grande jogo de ganhar dinheiro nas transações da Bolsa e das ações. O  Estado e a Lei é toma , por um momento , o nome do policial José, visto como “opressor” ou como braço prático da opressão. O ambulante, chegou a essa condição pela sua trajetória de vida. Nesse xadrez temos as peças do Guarda,do transeunte e do .   A “alienação” é quando não vemos pelo alto o sorriso do Capital que joga com todas essas peças e  com todas essas vidas. Em um tipo de Capitalismo, onde precisa-se cada vez menos do trabalho regulamentado e cria-se cada vez trabalho informal, precário, e pequenos bicos , o” emprego clássico “vira uma parcela do sistema. O restante, é uma peça marginal, dirá o Capital,aquele é ao mesmo tempo,o jogador e o mágico de Oz.
                Temos a situação não da exploração clássica do trabalhor suando debaixo do teto da fábrica tão bem retrato do cinema de Chaplin.Embora o Gênio de Chaplin conseguiu no filme mostrar a oposição entre Emprego-Desemprego-Excluído que marca o sistema, já que sempre e permanentemente haverá “desemprego” porque ele é estrutural e permanece a categoria do “exercito industrial de reserva”. Hoje a situação está  se tornando algo diferente . No Brasil temos aqueles que são excluídos do sistema. São todos os trabalhadores informais. Não são absolutamente necessários ao Capital  e por conseqüência ao sistema. A opressão que sofrem não é mais direta. Talvez ela tenha a cara do “policial do Rapa e do delegado” . Talvez a público grite pedindo por trabalho ,antes que se tenha “mais um roubando”.Talvez alguém compre algo comovido com a história do ambulante.Mais como o opressor é alguém sem face e sem olhos, ninguém observa quem está  dando as regras do jogo e jogando ao mesmo tempo  com fios invisíveis as peças da nossa Vida: o Capitalismo Brasileiro.

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