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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Movimento Sem Terra




  Slides:

http://pt.slideshare.net/proffatimafreitas/mst-14547543?related=1
Texto Base:http://www.mst.org.br/quem-somos/

(Link do próprio MST)

http://www.infoescola.com/geografia/mst-movimento-dos-trabalhadores-rurais-sem-terra/


Movimento Operário e Sindical






Slides: http://pt.slideshare.net/Edenilson/o-movimento-operrio-brasileiro?related=1

Texto Base:
http://www.brasilescola.com/historiab/movimento-operario-brasileiro.htm

http://www.terra.com.br/noticias/especial/1demaio/maio_3.htm

Deve-se falar do 1 De Maio e dos Sindicatos que hoje existem no Brasil.

http://www.sinhotel.org.br/sindicalismo.htm


Poema para ser utilizado na Apresentação(TODO OU SÓ UMA PARTE):

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO

Rio de Janeiro , 1959

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
- Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
- Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
- "Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Movimento Ambientalista












Slides:https://pt.slideshare.net/romulofernandodasilva/movimento-ambientalista-76428573

Texto para o Seminário:


http://www.infoescola.com/ecologia/ambientalismo/


http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAXLkAE/surgimento-dos-movimentos-ambientais

Movimento LGBT






Slides:

LGBT MUNDIAL:https://pt.slideshare.net/romulofernandodasilva/lgbt-mundial

LGBT BRASIL:https://pt.slideshare.net/romulofernandodasilva/lgbt-brasil



Texto para o Seminário:

(Fazer um resumo desse artigo: http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/cadernos_tematicos/11/frames/fr_historico.aspx

http://super.abril.com.br/saude/homossexualidade-e-doenca/


http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151229_psiquiatra_homossexualidade_jp

Movimento Feminista




Slides:


FEMINISMO MUNDIAL:https://www.slideshare.net/romulofernandodasilva/feminismo-mundial

FEMINISMO NO BRASIL: https://www.slideshare.net/romulofernandodasilva/feminismo-brasil1




Textos para o Seminário:

http://www.infoescola.com/sociologia/feminismo/http://www.infoescola.com/sociologia/feminismo/

http://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/o-que-as-feministas-defendem-3986.html




Movimento Negro




Slides: MOV.NEGRO MUNDIAL: https://www.slideshare.net/romulofernandodasilva/movimento-negro-mundial-75953868

Slides Movimento Negro Brasil: https://www.slideshare.net/romulofernandodasilva/movimento-negro-brasil

Livro-base para o Seminário: SCHWARCZ, Lilia Moritz. Nem Preto nem brancomuito pelo contrário: cor e raça na sociedade brasileira.  https://csociais.files.wordpress.com/2015/03/schwarcz-lilia-mortiz-nem-preto-nem-branco-muito-pelo-contrc3a1rio.pdf

Texto -Base para  o Seminário:

http://negros-no-brasil.info/movimento-negro.html

http://www.infoescola.com/biografias/martin-luther-king/

https://pt-br.facebook.com/pages/Movimento-Negro-Unificado-Brasil-MNU/200904580057528

http://identidadesgeneroeracadm.blogspot.com.br/2011/12/historia-do-movimento-negro-no-brasil.html





http://marciasglima.blogspot.com.br/2011/09/redencao-de-cam.html

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Atividade -2 Anos -Resposta sobre Comentário

 

Orientações:
1-Primeiro leia o texto que está nesse blog Um breve comentário sobre Preconceito no Twiteer.
2-Observe esses comentários e escreva um comentário de dois parágrafos em resposta a eles.
3-Entregue em Folha Separada e coloque Nome,número e série




quinta-feira, 18 de junho de 2015

Consumo e Lixo-2 º Anos


     





       Um grave problema ambiental decorrente dos hábitos da sociedade contemporânea é o consumismo desenfreado e  a geração de resíduos decorrente dele. A pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Flávia Passos Soares, apresentou uma discussão riquíssima em sua tese de doutorado que versa sobre a descartabilidade do humano e a dinâmica do consumismo na globalização. Segundo a autora, a descartabilidade surge na sociedade através da relação histórica que se estabeleceu entre prazer e consumo privado, e ainda, por meio da expansão ilimitada da produção de bens em relações de mercado. Dessa forma, o consumo conseguiu se estender a todos os registros da história, comunicação e cultura e adquiriu um status de prioridade perante os demais valores, pois são aceitos quaisquer meios para acessar o estilo de vida invejado socialmente, que depende do consumo constante de inúmeros produtos e serviços cada vez mais atraentes.
A sociedade de consumo é construída desde a base, por meio de investimentos nas gerações por vir. O filósofo e pesquisador Noam Chomsky aponta “o poder da indústria de propaganda, ao destacar que nos EUA, um em cada seis dólares é gasto em marketing, e que o bombardeio diário de publicidade e propaganda pela televisão atua no homem moderno desde a infância. Com isso, as crianças são educadas nos ideais da cultura de consumo, e irão se transformar em indivíduos passivos, isolados e com pouca oportunidade de escolha”.
Com a função de induzir ainda mais ao consumo, o mercado passa então a elaborar produtos adequados a essa população consumista. Segundo Flávia Soares, “o ritmo acelerado de descarte ditado pelo mercado imprime uma obsolescência programada aos artigos à venda. A não durabilidade pela falta de qualidade dos materiais garante o retorno dos consumidores em busca de outros produtos, novos, que certamente serão mais modernos em algum detalhe. Em geral, não se busca consertar nada. É mais fácil jogar fora e comprar novo. Além dessa descartabilidade a curto prazo, existe também aquela imediata, derivada de produtos fabricados para serem usados uma única vez, como copos de plástico, garrafas ‘PET’ etc., que geram um grave problema ambiental“.
Essa mentalidade de consumo sem preocupações com os descartáveis é impregnada na sociedade de consumo, que perde completamente as rédeas quanto aos limites de descartabilidade. Naturalmente, é muito mais simples consumir o produto desejado e descartar as sobras ao final. O grande impasse existente é como compatibilizar a geração desses resíduos com a capacidade de armazenamento e de suporte do ambiente.
Em uma sociedade que sempre disponibiliza um novo produto como a melhor alternativa face à substituição ou reparação de um produto existente, viabilizando, portanto, o descarte, a lógica de reaproveitamento dos resíduos passa a ser uma prática adotada apenas em épocas de crise econômica ou em momentos especiais. A alternativa de usufruir deste recurso como fonte de renda sobra, então, para a classe mais excluída e sem alternativas de sobrevivência. Desta forma, passa a existir uma classe de trabalhadores que tem como matéria-prima a parcela reciclável dos resíduos sólidos urbanos, mesmo estes estando dispostos em lixões.

Vários problemas estão relacionados com a geração de resíduos sólidos urbanos, e o aumento desenfreado da produção destes resíduos tende a uma situação insustentável no que diz respeito à sua gestão. O aumento da população observado nas últimas décadas remete à ampliação direta da geração de resíduos, justamente devido às necessidades de cada pessoa. Essa situação se torna ainda mais complexa na sociedade da descartabilidade, que não assume responsabilidades sobre a geração e destinação dos restos.

Video sobre a Ditadura Militar e o AI-5


Greve dos Professores-Entrevista Prof Rômulo

http://globotv.globo.com/globo-news/jornal-das-dez/v/greve-dos-professores-estaduais-de-sao-paulo-completa-50-dias/4150224/

quarta-feira, 4 de março de 2015

Direitos Humanos no Brasil -a exceção e regra


Cuba,Brasil ou EUA ,quem desrespeita mais os direitos Humanos? 3 Anos

Texto do Leonardo Sakamoto

Usei este espaço para criticar o presidente da República quando ele deu a polêmica declaração comparando o preso político ao preso comum, desconsiderando a importância da greve de fome. O Brasil poderia continuar respeitando a soberania cubana e, ao mesmo tempo, agir como se espera de um ator relevante internacionalmente quanto ao respeito dos direitos humanos. Muita gente desceu o sarrafo em Lula por conta desse episódio.
É, portanto, irônico que muitos desses que criticaram a não-interferência brasileira em Cuba atacarem a “interferência” norte-americana no Brasil. Explico: o Departamento de Estado norte-americano divulgou seu novo relatório analisando a situação dos direitos humanos em 194 países, como faz há mais de três décadas. E, assim como todos os anos, há uma relação dos problemas encontrados por aqui. Apenas a ponta do iceberg pois, a bem da verdade, a nossa ficha corrida é bem maior que isso.
Execuções sumárias por policiais no Rio e em São Paulo, ações de milícias pagas por fazendeiros no interior do país, desaparecimentos e torturas, tratamento desumano aos encarcerados, prisões arbitrárias, ataques contra a liberdade de expressão, discriminação por cor de pele e gênero, tráfico de pessoas para exploração sexual e por aí vai. O de sempre, infelizmente.
Mas gerou certa comoção as críticas à situação trabalhista nas lavouras de cana-de-açúcar, como a persistência de trabalho infantil, de trabalho escravo e superexploração. O caso da Cosan, um das maiores produtoras de açúcar e álcool do mundo, que entrou na “lista suja” do trabalho escravo e saiu por liminar judicial, também foi citado.
É interessante como o pessoal por aqui tentou encaixar a divulgação do relatório anual de direitos humanos com o anúncio da retaliação brasileira aos Estados Unidos, autorizada pela Organização Mundial do Comércio devido aos subsídios ilegais dados aos produtores de algodão de lá. Do ponto de vista desses analistas, uma coisa estaria relacionada a outra. Sem medo de parecer inocente, isso é uma tremenda besteira.
Quem, como eu, lê os relatórios todos os anos sabe que essas críticas são recorrentes – já se falava de trabalho infantil e escravo na cana no penúltimo relatório, por exemplo. As análises não são perfeitas, mas há muita informação que foi coletada diretamente com o governo, empresas de mídia, organizações da sociedade civil, entidades empresariais, instituições do sistema de Justiça e representa algo próximo da realidade.
É claro que a não inclusão dos Estados Unidos como ator de desrespeito internacional dos direitos humanos tira força do conjunto e dá margens a especulações sobre um suposto interesse comercial por trás disso. Ao mesmo tempo, é importante que os EUA não utilizem essas informações para aplicar sanções comerciais, mas que também passem a investigar com mais cuidado os casos de tráfico de pessoas e trabalho escravo dentro do próprio país. Muitas das barbaridades de lá e de outros países “ricos'' podem ser encontrados no blog especializado Trafficking Monitor (em Inglês).
Mas isso não invalida o que está escrito no relatório ou diminui a importância dos crimes lá descritos. A comunidade internacional tem sim poder para cobrar e pressionar, seja por um tratamento justo aos dissidentes em Cuba seja pela qualidade de vida para os trabalhadores no Brasil. Mas também pelo fim da prisão de Guantánamo e pela retirada imediata dos invasores norte-americanos do Iraque e Afeganistão. Ou contra aqueles entes não-estatais que fomentam o desrespeito aos direitos humanos através de injustiças cometidas na cadeia produtiva global dos biocombustíveis para depois culpar apenas as plantations, quer dizer, os países da periferia.
Afinal de contas, se a exploração do ser humano não conhece fronteiras, a sua defesa também não. Mesmo que por caminhos muitas vezes sinuosos.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Mulheres de Atenas-Chico Buarque-Letra




Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas
Quandos eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obscenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas
Morenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas



Link: 
http://www.vagalume.com.br/chico-buarque/mulheres-de-atenas.html#ixzz3QhLRTOmD

Breve comentário sobre Preconceito no Twitter-2 ANOS

O twitter amanheceu hoje com uma enxurrada de preconceitos contra moradores da região Nordeste por conta da expressiva votação que a região garantiu à presidente eleita Dilma Roussef. Os microposts foram extremamente ofensivos e degradantes. O segundo turno mais baixo nível de todos os tempos só podia terminar dessa forma, revelando o que há de mais obscuro na alma das pessoas.
Todo mundo erra – eu sou um dos piores. E estes momentos são didáticos para que aprendamos com esses erros, façamos correções de rumo e possamos nos reconstruir e construir uma sociedade melhor. Mas há algumas coisas que li por lá e fiquei assustado.
Ao mesmo tempo, colegas jornalistas receberam spams que defendiam a necessidade de separar o Estado de São Paulo e a Região Sul do restante do país por conta do resultado da votação. Nada sobre juntar quem não concorda com o governo eleito e fazer uma oposição firme, programática e responsável. Até porque, como sabemos, a tática do “perder e levar a bola embora” é super madura e fortalece a democracia. Tudo bem, é meia dúzia de pessoas que acha que “São Paulo é meu país'', mas estes reproduzem em profusão argumentos na internet, também estranhos e mais palatáveis, feito Gremlins.
Além do mais, se São Paulo se separasse do restante do país, como defende meia dúzia de analistas de boteco, daria um jeito de continuar superexplorando trabalhadores de outros lugares. Ao invés do migrante nordestino, seria o imigrante brasileiro. Da mesma forma que a gente faz com o bolivianos, paraguaios e peruanos.
Por mais que o filme original não seja um primor de roteiro e de execução, seria extremamente didático para esse pessoal que espuma preconceito se houvesse uma versão tupiniquim do norte-americano “Um Dia sem Mexicanos”. A idéia da película simples: os imigrantes latino-americanos, que custam algumas centenas de milhões em serviço social e retornam bilhões em mão-de-obra, um dia somem da Califórnia – para a alegria dos xenófobos. Mas a vida se torna um caos com o sumiço deles. Por aqui, seria algo como “Um Dia sem Nordestinos”, com roteiro gravado em São Paulo:
A socialite acorda e vê seu poodle completamente despenteado. Tem um piti e grita pela empregada responsável pelo serviço. Nada. O empresário chega de seu cooper matinal e percebe que seu suco de laranja não está espremido como devido. Grita pelo mordomo. Nada. O editor reclama que o fotógrafo não apareceu para entregar a imagem que prometeu. Nada. O cantor postar não aparece para o show e duas amigas, nervosas porque a maquiagem começa a derreter na pista de dança, entram em estado de pré-pânico. Nada.
“Deve ser enchente na favela. Ela nunca falta, sabe? É pobre, mas tem caráter. Nunca sumiu nada lá em casa.''/''É o quarto dia que aquele sujeito não vem. Sabe o que é isso? É o Bolsa Família! Torna as pessoas vagabundas. Deve estar bebendo em um bar''/ “Combinei uma coisa com ele e ele não veio. Esse povinho do Nordeste, viu?” / “Por isso que eu sempre digo: coloca mais duas horas no tíquete de show desse povo, viu amiga. É questão de cultura, sabe? Não é que nem nós, que tivemos criação.” (agradeço aos leitores e leitoras pelas sugestões)
E por aí vai. Até porque, como todos sabemos e o preconceito rastaquela paulistano reafirma diariamente, os nordestinos em São Paulo estão apenas em ocupações subalternas.
Seja na superfície, através de risinhos, ironias e preconceitos, seja estruturalmente, via baixos salários e uma desigualdade gritante, já passamos o recado de quem manda e quem obedece. Direitos sociais e econômicos já são sistematicamente negados. Agora passamos a dizer não também aos direitos políticos? Qual o próximo passo? Revogar a Lei Áurea?